quarta-feira, 6 de maio de 2009

ronaldo, o arruaceiro prodigioso

é irritante, mesmo, mesmo muito irritante, desde logo com aquele sorrizinho a meio caminho entre o sacana e o malandro. há jogadores que parecem príncipes em campo (rui costa foi um desses príncipes, talvez o maior do futebol português), outros que, por muito boas jogadas que façam, têm sempre aquele ar de arruaceiro (o maradona é o rei desta linhagem do virtuoso-arruaceiro; o grande exemplo disso, a célebre mão de deus no argentina-inglaterra do mundial de 1986). nos dias de hoje, messi é o grande príncipe dos relvados e ronaldo o grande virtuoso-arruaceiro. há uns anos, o zidane, que parecia um príncipe, revelou-se como arruaceiro com aquela cabeçada no maior dos palcos, na final de um mundial e no último jogo da sua carreira. mas o zidane parecia (ou tentava) ser sempre correcto. já ronaldo, como maradona noutros tempos, alia as jogadas mais incríveis a actos bastante baixos sem qualquer pudor (faltas simuladas, provocações para a bancada e para a equipa adversária, protestos sem razão).

dito isto, acabei de ver o resumo e os golos da vitória do manchester sobre o arsenal ontem. e os dois golos do ronaldo são brutais. o primeiro, uma bomba que poucos guarda-redes no mundo seriam capazes de defender. o segundo, um contra-ataque perfeito, começado e acabado por ronaldo, que depois de correr o campo todo, consegue ainda ser mais rápido que os defesas adversários e rematar calmamente para a baliza. foi prodigioso e revelador do melhor de ronaldo: capacidade física, sangue frio e virtuosismo fabulosos.

e penso no ténis e no nadal. ronaldo é um pouco como nadal, espécie de portento da natureza que alia a técnica à força e parece nunca se deixar afectar pelo ambiente, por muito hostil que possa ser (nesta analogia, messi seria um pouco como federer, mais virtuoso e harmonioso na forma de jogar, mas também menos forte mentalmente). e torço agora que o barcelona vença o chelsea, entre outras coisas, pela possibilidade de ver ronaldo e messi frente-a-frente, numa espécie de versão futebolística dos duelos entre nadal e federer.

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