domingo, 3 de maio de 2009
acusação vermelha e branca
a culpa é do meu avô. foi ele que me levou pela primeira vez ao estádio da luz. algures no terceiro anel, vi o benfica golear e passar uma eliminatória da taça de portugal. depois disso, os meus pais também me levaram à luz. o meu pai, sportinguista, não queria que eu abanasse a pequena bandeira do benfica que tinha (se bem me lembro, oferecida pelo avô nessa primeira ida à bola). saíamos sempre cinco minutos antes do fim do jogo para não apanharmos trânsito no regresso. o benfica ganhava quase sempre e goleava muitas, muitas vezes, tantas que nem parecia natural quando os adversários passavam a linha do meu campo e lançavam um ataque. lembro-me muito do eriksson (e gostava tanto que ele voltasse para treinar o benfica), do bento tão destemido naquelas saídas da baliza, do magnusson sempre 'na mama' ao pé da baliza adversária, dos passes lindos do valdo (e depois do rui costa), do veloso capitão e de tantos, tantos outros. o porto ganhava a sua primeira taça dos campeões e nós perdíamos duas quase de seguida, com o psv eindhoven e o ac milan. já estávamos em queda livre mas ainda não o sabíamos. também me lembro muito das palavras do toni quando ganhámos o campeonato em 94. dizia ele que aquela vitória era das mais importantes de sempre do benfica. depois percebeu-se porquê. lembro-me ainda das camisas vermelhas do trapatoni, das jogadas do simãozinho, daquelas vitórias sofridas e de celebrar o último campeonato que ganhámos no marquês do pombal. no outro dia, no espn, passava a final da taça dos campeões europeus que perdemos para o manchester utd em 1968. o meu avô falava-me muito e já com alguma nostalgia dos nomes desse benfica dos anos 60: o costa pereira, o simões, o coluna, o inevitável eusébio... aquelas imagens a preto e branco mostram bem porquê. aquela equipa não deixou de lutar e de fazer jogadas maravilhosas, fazendo vacilar o incrível manchester utd de best e co., ao ponto deste pobre benfiquista, enquanto via aquelas imagens, meio perdido no tempo e no espaço, acreditar por instantes numa reviravolta. e podia estar aqui a falar do calcanhar de madjer ou de vitórias recentes, mas não, o meu avô tinha de ser do benfica. a culpa tem de ser de alguém.
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